10 casas tradicionais portuguesas: viagens na nossa terra!

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10 casas tradicionais portuguesas: viagens na nossa terra!

Sílvia Cardoso—homify Sílvia Cardoso—homify
Country style house by SA&V - SAARANHA&VASCONCELOS Country
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Não há apenas uma representação da casa tradicional portuguesa. De Norte a Sul do país, encontramos casas típicas cuja construção obedece a questões culturais, climatéricas e até geológicas. Na paisagem minhota, por exemplo, há uma profusão de casas de granito ladeadas por espigueiros. Já no quente Alentejo, abundam casas baixas, com paredes caiadas de branco e faixas coloridas. E ainda bem que assim é. A diversidade denota a riqueza do nosso país, que tem uma História antiga e que recebeu e absorveu influências de outras culturas. Apesar de não ficarmos indiferentes à espectacularidade dos exemplares da arquitectura moderna, há qualquer coisa de enternecedor nas casas tradicionais. Hoje, é sobre elas que nos debruçamos.

A galeria da homify inclui vários projectos de casas típicas portuguesas, que nos dão conta da sensibilidade e do tacto dos arquitectos que souberam preservar a essência das mesmas, mesmo quando foi necessário conciliar a tradicionalidade com a modernidade.

Percorra a selecção de casas tradicionais que preparamos para si e, no fim, diga-nos qual a que mais gostou… Isto se conseguir escolher só uma, pois claro! 🏡🇵🇹 

1. Arouca: a reabilitação de uma bela casa em xisto

O nosso GPS arquitectónico está bem afinado para percorrermos o país de lés-a-lés.

Abrimos o nosso livro de ideias com uma casa em Espiunca, uma aldeia que faz parte do concelho de Arouca e que, ainda hoje, preserva a suas características de ruralidade.

No terreno, estavam implantados dois edifícios construídos em alvenaria de xisto e com coberturas tradicionais em lousa. Um dos edifícios destinava-se a habitação e o outro funcionava como palheiro. Ora, o projecto consistiu na ampliação e na reabilitação destes imóveis, que são hoje usados para alojamento turístico rural.

Apesar dos arquitectos os terem adequado às necessidades de habitabilidade e de conforto actuais, procuraram respeitar a traça tradicional. E conseguiram-no. Mantiveram-se as paredes exteriores pré-existentes, tendo a ampliação sido feita com um material translúcido e leve que não ofuscasse a pedra. O edifício pré-existente acomoda as partes privadas da habitação e a ampliação acolhe as zonas sociais que se abrem para o exterior, definido pela vegetação frondosa.

O palheiro, por sua vez, foi adaptado para a instalação de um estúdio. A dimensão exígua tornava-o ideal para o efeito.

Os interiores são totalmente modernos. Se os quiser ver, basta clicar sobre esta imagem e carregar onde se lê mais sobre casa em Espiunca.

2. Sintra: a casa em forma de abraço

Na base da Serra de Sintra, mais concretamente no coração da aldeia da Malveira da Serra, encontra-se esta adorável casa rústica, que foi encontrada em ruínas pelo gabinete que a intervencionou.

A casa forma um U em torno de um pequeno pátio, com vários recantos e desníveis. O projecto começou, como não podia deixar de ser, pela limpeza da ruína. Só assim foi possível tomar-lhe o pulso e descobrir-lhe todos os detalhes. O arquitecto optou por preservar as paredes originais e recuperou o edifício recorrendo a materiais locais, como o granito da Serra e a madeira de pinho. A obra, pejada de pormenores, demorou dois anos até ficar concluída. Olhando para a fotografia, diríamos que valeu a pena esperar. É impossível ficar indiferente a este pátio, onde a luz do sol pousa delicadamente.

3. Guarda: casa na aldeia

A moradia que vê na fotografia pertence à mesma família há três gerações. Os arquitectos depararam-se, assim, com um projecto sedutor, mas desafiante: trazer o imóvel ao presente, respeitando as mais-valias do passado, e perceber quais as memórias e os afectos que a casa produz na família.

As alterações nas fachadas exteriores tiveram como principal desígnio a beneficiação estética e térmica. Foram, neste sentido, substituídas as caixilharias e os portões, uniformizadas as cores e reparados os elementos decorativos em ferro existentes. A casa exibe, agora, um esquema cromático mais moderno e as janelas quadriculadas tradicionais foram substituídas por janelas com um pano de vidro único.

4. Paredes: casa em xisto e em madeira

A tradicionalidade não está apenas presente na forma. Os materiais também contam. Por esse motivo, tínhamos que incluir esta casa em xisto no nosso artigo.

A casa da imagem é ampla e assume, distintamente, um estilo rústico, embora as linhas que a desenham sejam de cunho tradicional, com o telhado de duas água a coroar a construção. O xisto surge combinado com a madeira—pintada de vermelho—e com o vidro, usado expressivamente nas janelas.

5. Alentejo: uma casa de férias para toda a família

Se tivesse que descrever o Alentejo, o que diria? Quando pensamos nesta região do país, lembramo-nos das praias que povoam a costa, da paisagem a perder de vista, das oliveiras e dos chaparros e, claro está, dos montes, das herdades e das casas baixas com paredes caiadas de branco, atravessadas por uma faixa colorida.

A casa que vemos acima, espelha a imagem que temos desta região do país. Trata-se de uma casa de férias que se destaca pela simplicidade e horizontalidade da sua arquitectura e pela vida e alegria que a lista em cor-de-vinho lhe proporciona. Sabia que, no Alentejo, as cores fortes das bases das casas terão começado a ser usadas como repelente para os insectos e o branco para reflectir os raios solares?

Esta habitação, em Almodôvar, tem a generosa dimensão de 1 100 m², que compreendem quatro suítes e um quarto em camarata, uma zona social, uma área de serviço, quatro pequenas casas de hóspedes, piscina apoiada por balneário e um telheiro, que apela ao convívio ao ar livre. No telheiro, há uma segunda cozinha para se fazerem refeições fora de portas.

6. Santo Estêvão: casa de campo

É em Santo Estêvão, nas margens do Rio Tejo, que se encontra esta casa idílica, integrada num cenário bucólico.

A casa foi restaurada e remodelada e é usada, essencialmente, durante as férias e aos fins-de-semana. A proprietária fez questão de acompanhar o restauro. Os materiais escolhidos para o projecto são todos portugueses e seguem a traça da arquitectura tradicional.

O gabinete responsável pelo projecto teve sempre em mente a vivência desta casa e o facto de os proprietários receberem nela muitos amigos e convidados ligados ao mundo equestre (tanto a dona da casa como a filha entram em competições de dressage).

O resultado está à vista: a casa parece saída de um conto-de-fadas.

7. Algarve: uma espantosa casa de férias

Mais a Sul, em Vale do Lobo, no Algarve, temos esta villa, onde o branco da fachada dialoga com o azul claro e com a madeira, a tijoleira e a pedra da calçada.

Neste imagem de detalhe, vemos o acesso à casa que inclui um jardim frontal, onde os vasos em barro e as plantas trepadeiras funcionam como a moldura perfeita e oferecem frescura e beleza à composição.

O estilo da moradia é clássico, embora seja notória a influência da arquitectura mediterrânica. Ainda assim, é o tipo de casa que se enquadra em pleno na paisagem algarvia e que estamos habituados a ver nesta zona do país. Concorda connosco?

Carregue, já agora, sobre a imagem para ver a fantástica piscina nas traseiras!

7. Algarve: um retiro de sonho

E já que estamos no Algarve—desta vez, em Tavira—aproveitamos para lhe mostrar o resultado de uma intervenção a uma casa com anexos agrícolas. Na imagem, vemos a casa principal que foi recuperada de acordo com os métodos de construção tradicionais, que permitiram conservar o seu carácter.

Os arquitectos fizeram algumas alterações tipológicas—apenas as necessárias—e mantiveram, nos tectos, as canas encontradas na casa original.

A propriedade tem uma área total de 286 m².

8. Braga: Chalé das Três Esquinas

Não podíamos deixar de incluir o Chalé das Três Esquinas nesta nossa viagem, por terras lusas. O chalé é um edifício único que, de acordo com os arquitectos, documenta a história e a diáspora da região onde se insere, na medida em que combina a arquitectura e o desenho urbano portugueses do século XIX, com uma inusitada influência alpina que chegou a Portugal por via de uma vaga histórica de portugueses regressados do Brasil, culturalmente influenciados por centro-europeus que desenvolviam a segunda revolução industrial brasileira.

Ao longo de 120 anos, o edifício foi sofrendo intervenções não qualificadas que adulteraram o aspecto original da fachada, entretanto restabelecido: recolocou-se a caixilharia original e restaurou-se o beirado.

O azul turquesa das paredes faz com que o edifício se destaque ainda mais no centro histórico da cidade.

9. Lisboa: casa na rua das Terras

Parece pequena, mas não se deixe enganar pela fachada desta casa tipicamente portuguesa que tem, na verdade, uma área de 230 m². O projecto teve como mote a requalificação da construção existente e a ampliação da moradia, através da adição de um segundo piso que não é perceptível na imagem. A casa desenvolve-se em patamares sequenciais entre a cota de entrada e o jardim murado de tardoz. Deste modo, conseguiu-se mitigar a diferença significativa, existente entre as cotas.

10. Ilha da Madeira: Casa Ribeira Seca

Terminamos em beleza, na ilha da Madeira, com uma casa tradicional que foi encontrada em ruínas pelos arquitectos.

O projecto de reconstrução, apesar de se ter apoiado tecnologias modernas, não se desviou dos princípios arquitectónicos da região. A intervenção ampliou a casa na sua fachada de maior dimensão e aumentou-a em altura.

O vermelho das superfícies chama muito a atenção, não só pela tonalidade expressiva como pelo contraste que gera na paisagem, na qual não destoa.

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